Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Releitura de um clássico conto de amor

Inicio esse pequeno conto de amor (roteiro de um filme) lembrando que não sou moderno o suficiente para escrever sobre um jornalista e um escorpião (a palavra escorpião está na categoria gramatical dos epicenos, que varia o gênero acrescentando-se a palavra fêmea ou macho; não existe "escorpiã").

Então, como se vê da ilustração, é amor animal entre um galã e uma jovem donzela escorpião. Entretanto, essa estória é muito mais grave do que possam imaginar nossas mentes pérfidas; não é apenas uma cópula zoofílica.O jornalista é o galã da trama. Todos o procuram para aparecer, já que se apresenta moderno, imparcial, bondoso com todos e, claro, a amizade ou o apoio dele é fundamental para inúmeros projetos políticos e pessoais. Ele é o ator principal, mas tem um algo de cafajeste, não é muito puro em seus sentimentos, não é tão honesto quanto se esperaria de alguém que deveria terminar com a mocinha, dando lições e lições de morais. Vai ver que o diretor do filme é alternativo, foge da escola hollywoodiana de finais felizes, um Almodóvar ou sei lá quem.

Certa época, em que o jornalista ganhava muito dinheiro e era feliz, quando trabalhava com esportes, em especial com o futebol, apareceu-lhe um lindo e poderoso escorpião fêmea. Com pouco mais de vinte anos de idade, ela morava há muito no Reino Encantado, local onde seus pais tinham, insidiosamente, conquistado o poder. Em princípio, o jornalista não se entusiasmou muito com a beleza daquele espécime, até porque preferia mulheres e não animais - nem por isso deixou de reconhecer que o encantamento daquela jovem aracnídea.
Tudo não passaria de breve flerte se o escorpião fêmea não tivesse oferecido ao jornalista o que ele mais prezava: dinheiro. Sim, o animal tinha muito dinheiro que tirava do seu Reino Encantado e apresentava proposta anti-ética mas irrestível a quem vivesse apenas do presente, que era dinheiro.
E por que o dinheiro? É que os pais do escorpião fêmea estavam enfrentando grave revolução dentro do Reino em que eles tinham se arvorado na condição de imperadores soberanos e somente com o charme e o apelo popular do jornalista é que eles conseguiriam acabar com a vontade do povo de viver em uma república (e não numa monarquia absoluta), de viver em uma democracia (e não em uma ditadura), de poder falar ou reclamar sem medo de soldados do Imperador, de poder decidir seu destino e, claro, evitar o caos que se prenunciava no Reino Encantado.
O jornalista não pensou duas vezes e aceitou fazer a campanha de "engana povo" do Reino Encantado. Ele já tinha feito algo parecido antes, era só dizer que o papai escorpião era homem muito bom, muito sério, que a crise no Reino Encantado era por conta dos operários que trabalhavam somente 80h semanais, que o Reino Encantado entraria no Clube da Floresta, para receber incentivos financeiros, que o Reino Encantado tinha fechado parceria com a Raposa da Toca, que aquele Primeiro Ministro era tão afinado com o povo que até fino falava, etc, etc, etc.
Acontece que, antes mesmo de receber os seus espúrios honorários, o jornalista não se conteve e partiu para assediar o escorpião fêmea, a qual, nos impulsos típicos da idade, aceitou com rapidez a investida.
Em pleno ato de amor (ou sexo, melhor dizendo), o escorpião fêmea, em meio a sussuros, indaga do jornalista o motivo de ele ter partido para levá-la à cama, principalmente porque trataram inicialmente apenas de assuntos apenas profissionais:
- É da minha natureza conquistar as fêmeas, minha querida - respondeu
Ela chora, dá-lhe um beijo e desce-lhe o ferrão nas costas, injetando-lhe letal veneno. Antes de morrer e com os olhos de espanto, o jornalista pergunta o porquê daquele ato assassino.
- É da minha natureza, querido.
FIM
Senhores da imprensa esportiva pernambucana: ninguém se deita com um escorpião e sai impune ou vivo.
Sob o manto da imparcialidade acerca da eleição no Santa Cruz, a imprensa vem ocultando fatos, distorcendo acontecimentos e dando credibilidade a versões por interesses outros que não o relato da verdade e o esclarecimento correto da população.
O escorpião, que agora está, além de prejudicando o Reino Encantado, contratando seus serviços, vai - é da sua natureza! - no futuro mostrar quem é.
Por que não escutamos conversas ou boatos acerca de surras em jogadores nos outros times? Ano passado, em que o Sport teve um ano lastimável e o Náutico perdeu o estadual e foi protagonista daquele evento histórico contra o Grêmio, ouviu-se alguma história ou estória de diretoria que quis se apoderar do clube? Quantos torcedores dos outros times se queixam de serem intimidados por seguranças do presidente? Quantos empréstimos sem volta os demais times realizam? Por que diretores só aparecem - e têm espaço na imprensa - quando o time obtém uma vitória?
Senhora imprensa, a truculência que até um golpe fajuto tentou dar, roubando o direito de voto do torcedor do Santa Cruz, vai sim pedir seu preço no futuro. Não se junte a isso, porque hoje é o torcedor do Santa Cruz, ontem foi um jogador do Santa Cruz, amanhã será o setorista de sua rádio, a sua emissora de TV, seus filhos, enfim, a própria imprensa.
Eu não preciso do futebol, minha grande paixão, para sobreviver. A imprensa esportiva, sim. Daí eu jamais entender o motivo da paixão da imprensa por escorpiões...
Coronel Peçonha

Terça-feira, Julho 04, 2006

Ronald Golias ou Gene Hackman: qual o melhor treinador???



Desde sábado passado, quando a Seleção Brasileira levou outro vareio de bola da França, não se fala em outra coisa: Parreira é "pateta", é "burro", é "péssimo treinador", é "covarde", é "retranqueiro", enfim, Carlos Alberto Parreira é o pior técnico do mundo. Ficou "bovinamente" passivo enquanto o Brasil era desclassificado, "não tinha pulso para o plantel" e todos os demais erros possíveis de serem cometidos por um técnico sem currículo.
Esqueceram que Parreira nos tirou da fila de 24 anos sem Copa do Mundo, que com essa mesma seleção horrível ganhou a Copa América e a Copa das Confederações em cima daquela latina seleção bossal (um com um chocolate, outra com um empate histórico no final do jogo) e, mesmo sendo verdade que Parreira errou e muito nessa Copa, jamais o seu passado de vitórias pode sumir de um momento para o outro.

Por outro lado, devido à excelente campanha de Portugal na Copa, Felipão volta a ser considerado o melhor técnico do mundo. O estilo Felipão funciona para tudo, se fosse Felipão na Seleção Brasileira não teria ocorrido o que ocorreu, aquilo é que é garra, time de Felipão é tudo menos frouxo ou mascarado, etc, etc, etc. Nem se lembram mais de quanto Felipão foi criticado antes de 2002 e mesmo durante a Copa do Japão/Coréia do Sul, quando, adotando o repugnante 3-5-2 por pouco não caiu já nas oitavas de finais (quando colocou Edmilson como volante protetor da zaga e não como terceiro zagueiro, tal qual fez Parreira em 1994 com Dunga, o Brasil deslanchou por completo). Não seria louco de dizer o contrário, até por pensar do mesmo jeito, apenas que devemos lembrar que Luís Felipe Scolari é um homem e não um santo milagreiro. Estou torcendo muito por Portugal por conta dele, no entanto, tenho que, não somente por conta de sua campanha dirigindo os patrícios, mas pelo nosso fiasco na Alemanha é que tem havido o excesso do estilo de um em detrimento ao do outro.

Torcedor é torcedor e se essas conversas se limitassem a tanto seriam respeitadas. Porém, todos os adjetivos acima indicados entre haspas escutei de jornalistas esportivos! E a ética? E o passado de Parreira? O velho "Pé de Uva" errou muito, eu sei, deve ser muito criticado, entretanto, partiram para esquecer o passado dele. Tal qual fizeram, por exemplo, com Cafu, com inúmeros serviços prestados à seleção, um exemplo de cidadão, um marido que declara o amor para a esposa no auge de sua carreira e que, por conta de uma infeliz jornada, transforma-se no maior mau caráter, um mercenário. CULPA DA IMPRENSA, nojenta imprensa, burra e venal.

Mas por falar em burrice, eis que me vejo de novo lendo sobre os times daqui, o Brasileiro vai retornar e - mesmo com essa exaltação total ao estilo Scolari e completo desprezo, até nojo, do estilo Parreira que se espalha no país - não é que já estão falando mal de Maurício Simões?

Está no Jornal do Commercio de hoje, na coluna do torcedor do Sport, Fernando Menezes:

Estilo Simões
Ontem, durante um coletivo, o novo técnico do Santa Cruz, Maurício Simões, distribuiu gritos aos seus jogadores. O que pode ser uma cobrança, se não for devidamente dosada, pode rachar o grupo.

Perguntar não ofende: se Giba era considerado um padre, muito parado, se o estilo Felipão está em alta, por que já se fala em racha por conta do jeito "xerife" de ser de Maurício Simões? Não estou defendendo qualquer incidente que porventura tenha ocorrido no Santa Cruz, em algum treino, só considero no mínimo precipitada opinião que já indique algo que nem chegou ainda a existir, pois o técnico sequer teve chance de provar se tem qualidade ou se o seu jeito de ser é o que salvará o Santa Cruz da atual situação vexatória.

Ética, senhores, ética, é o que peço. Basta de clubismos. Não peço mais imparcialidade, tampouco inteligência. É pedir demais.

Recife, 04 de julho de 2006 (há doze anos o Brasil vencia os Estados Unidos, gol de Bebeto após passe de Romário. O técnico era o já então muito criticado Parreira).

Sexta-feira, Maio 26, 2006

O "Blue Eyes" do Arruda: um artista?

Ninguém me convence do contrário: olhos azuis, voz possante, cabelos brancos rareando, astro internacional... Yes, we have a "Blue Eyes" too.
Tudo bem, Não se chama Frank Sinatra, mas chegou como um semideus, salvador da pátria e parece não haver dúvidas que a imprensa gostou dele. É o técnico Valdir Espinosa, atual comandante do elenco tricolor, que veio salvar a lavoura estragada por Giba; pelo menos é assim que está sendo divulgado.
Conforme é sabido e mesmo postamos aqui, o sucesso do trabalho do técnico depende da confiança da torcida. BINGO, ele chegou com a confiança e esperança da imensa torcida tricolor.
Hoje, 04 de junho, o Santa Cruz fez a sua 6ª partida sob o comando de Sinatra Cover, totalizando cinco derrotas e um empate (este dentro do Arruda). Será que Giba aguentaria tanto "sucesso"?
"It's my way", diria Frank Espinosa Sinatra. "Preciso trabalhar com qualidade". Se fosse verdadeiramente cantor, Espinosa me lembraria mais Tim Maia: nem aí para nada e reclamando o tempo todo da qualidade do som...
É, mas desta vez a imprensa não está culpando o técnico pelas mazelas ocorridas com o time; pelo contrário, muitos chegam cair no Conto do Vigário dele e ratificar que falta qualidade no elenco, "única" explicação para a vergonha que faz o time do Arruda na Primeira Divisão. Será? "Será a minha imaginação? Será que nada vai acontecer?" (canção da Legião Urbana, aplicável porque estamos tratando de artistas nessa postagem).
Se é verdade que Giba não conseguiu empolgar o elenco, o que dizer de Sinatrinha dos Pobres, com seu repetitivo e enfadonho fado acerca de falta de qualidade? Lembro que Giba sofreu severas críticas em seu último jogo como técnico do Santa Cruz porque tirou Rosembrick. E quem apostou em Alex Horriveira e Mal Baiano? E quem colocou um time com o esquema 4-5-1 contra o palmeiras, foi derrotado e voltou a manter o mesmo esquema covarde contra o juventude e foi goleado?
É mas o Olimpo não é para todos; somente para os deuses e esse Valdir Espinosa deve ser um deles, pois não vejo um movimento concreto para tirá-lo do lugar a que não fez jus, qual seja o comando técnico do Santa Cruz.
Coronel Peçonha.
p.s.:
1) Seria totalmente anti-ético da minha parte deixar de ressalvar o nome de três profissionais da imprensa esportiva que pelo menos vêm alertando para o ilusionismo criado por Valdir Espinosa (não tenho nada contra o técnico, apenas que, por motivos objetivos e impessoais, ele já provou que não tem condições de continuar no cargo): José Neves Cabral (JC On Line), Antônio de Pádua e Roberto Nascimento (Rádio Clube). Três torcedores do Sport, mas os únicos que estão visualizando o absurdo que está ocorrendo no Arruda, com a permissividade e passividade da Diretoria e da torcida. Enquanto Giba - segundo revelou Carlinhos Paulista no Blog do Santinha - implantou o regime de treinos em dois expedientes, o Sinatra Cover não gosta muito de expor os seus atletas ao trabalho.
2) Qualquer outro profissional da imprensa que defenda os argumentos aqui expostos e que não foi citado: perdoe-me a ignorância e faço questão de corrigir qualquer omissão.
3) Após a derrota de hoje para o Vasco da Gama, a imprensa, timidamente, começou a cogitar de sua saída - mas o assessor de imprensa do Santa Cruz negou com veemência esta possibilidade.
4) Não é ético de minha parte usar apelidos ou menções até perjorativas como fiz agora, mas o coração tricolor sangrando impediu que eu corrigisse tal falha. Peço perdão, mas mantenho os termos.

Sábado, Maio 13, 2006

O técnico perfeito para a imprensa?




O caso Giba vista pelo Metiopé ou mais um caso
ovo-ou-galinha-quem-veio-primeiro
O Metiopé já tinha antecipado a obviedade de que a imprensa estava "fritando" o ex-técnico do Santa Cruz, Giba. Não foi preciso nenhum dom paranormal, apenas acompanhar o noticiário esportivo. O "padre", como muitos estavam chamando Giba, não agradou, não conseguiu resultados e foi substituído por Valdir Espinosa, "macaco velho" e que muitos já consideram (pelo menos quando chegou no Arruda) como ultrapassado; o Metiopé só faz "previsões" para o passado e por isso não lhe interessa discutir a mudança de treinadores.
No entanto, por qual motivo Giba não agradou? Quando de sua chegada, foi dito que (1) era da escola paulista de treinadores; (2) era novo e com vontade de aparecer; (3) tinha feito um bom trabalho na Portuguesa ano passado, apesar da crise do time este ano no campeonato paulista; (4) era preparado e tinha um bom arsenal teórico.
Após sua saída, com baixíssimo aproveitamento, até com perda do título estadual, outros motivos embasariam a decisão da Diretoria do Santa Cruz (o que foi falado na imprensa): (1) não soube unir o grupo; (2) era muito calado dentro de campo; (3) só se reunia com os 11 jogadores que iam para o jogo, nem sequer falando com os reservas que iam para o banco; (3) na cobrança dos penalties na final do Pernambucano, impediu que o volante Neto batesse a 6ª cobrança e, por isso, o jogador foi desconcentrado bater - e perder - a 7ª cobrança; (4) impedia a subida dos laterais, reclamações de Osmar e Xavier; (5) jogadores como Thiago Tubarão e Rosembrick estariam jogando em posições ou fazendo funções que não lhes agradavam; (6) não puniu os brigões Carlinhos Bala e Thiago Tubarão; (7) não valorizou a prata da casa; (8) estava com problemas pessoais desde que chegou aqui; (9) mal falava com todos os jogadores; (10) não tinha qualquer tipo de entrosamento com a diretoria; e (11) não tinha experiência na Série A.
A torcida não simpatizou com Giba. Achava-o sem pulso dentro de campo e, gota d'água, uma substituição errada no empate contra a Ponte Preta foi definitiva.
Por outro lado, tive informações, de quem acompanhava os treinos, que Giba fazia treinos de qualidade no Arruda, insistindo nas pegadas, treinando jogadas, montando o time da melhor maneira possível, ou seja, era muito bom treinador, com técnicas novas, bom conhecimento, enfim, um bom nome para o Santa Cruz (estas informações não estão equivocadas, nem se invalidam com os resultados obtidos por Giba; como sabemos, não precisa nem ser bom, basta agradar e, no futebol, o técnico obterá excelentes resultados. Já o "perfeito" que não agradar... pode devolver).
Noventa e nove por cento da torcida tricolor não vão aos treinamentos, escutam as resenhas e vêem pela televisão as notícias do time (como todas as demais torcidas, logicamente). E AQUI VEM A QUESTÃO: Giba foi queimado pela imprensa ou Giba não teve competência para evitar a fritura? Mais uma vez o Metiopé não se arvora no direito de responder concretamente e deixa a resposta para quem quiser comentar (imprensa, diretores, jogadores, Giba, qual a parte ou culpa de cada um?).
Um fato é inegável: treinador aqui em Pernambuco vai ter de gesticular em campo, senão é fraco e sem moral. Um Muricy Ramalho (cuja passagem pelo Santa Cruz ainda será objeto de matéria pelo Metiopé), um Aderval Lana, parece que são exemplos do que a torcida e a imprensa vinham pedindo a Giba.
Coronel Peçonha
p.s.: Considerando que o técnico ideal deveria ter uma postura jovem (para mostrar renovação), porte atlético (para provar o amor pelo esporte), transparecer fé e confiança (para acreditar no time), gesticular muito, ser simpático com todos (imprensa e povão), ser carismático, saber lidar com imensas platéias e ter a imprensa como amiga, o Metiopé indica: PADRE MARCELO ROSSI PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL. Em que pese Carlos Alberto Parreira ter tirado o Brasil da fila de 24 anos de espera, ter ganho recentemente e de forma espetacular as Copa América e das Seleções, mesmo ter sido campeão da Terceira Divisão com o Fluminense (para não se dizer que só ganhou com craques), sempre da mesma forma: quietinho, quietinho, prova de que nem tudo que pula é técnico.

Sexta-feira, Abril 21, 2006

Rembrandt Jr: o Galvão Bueno do Nordeste?


O Metiopé não nasceu para analisar a qualidade dos programas e jornalistas esportivos. Pretende que graves ataques à ética sejam apontados, revelados, discutidos e mesmo para que se chame a atenção para esses ataques quando todos silenciam.
Portanto, não queremos discutir se Galvão Bueno é o melhor ou o mais odiado narrador esportivo da televisão brasileira (ou as duas coisas ao mesmo tempo), até porque o nosso interesse - pelo menos por enquanto - é regional, é Pernambuco. Mas será que nós temos o nosso Galvão Bueno? Por que tanto se fala do narrador Rembrandt Júnior? Será que ele não age com ética ao transmitir os jogos daqui?
Cumpre relembrar um pouco da carreira do comentarista. Apareceu para o grande público através do incentivo de Luciano do Valle, quando este teve mais espaço ou interesse profissional em Pernambuco. Vi algumas vezes Luciano do Valle dizendo que Rembrandt Júnior seria um grande narrador, que tinha talento, etc. Já foi assessor de imprensa do Santa Cruz.Firmou-se na Rede Globo, transmite jogos para o Brasil todo, foi para a Copa de 2002 e já está escalado para trabalhar na da Alemanha pela sua empresa, ou seja, não há mais dúvidas que o seu trabalho agrada aos patrões. Se não foi isso, perdoe-se a memória falha do Coronel; mas, e o que dizem os torcedores?
Após uma visita aos sites dos três maiores clube de Pernambuco, chega-se à conclusão que para os rubro-negros, ele é tricolor; para os alvirrubros, é tricolor ou rubro-negro, dependendo do jogo; e, para os tricolores, certamente é rubro-negro. Por que isso? Afinal de contas, será que o narrador agrada a alguns ou será que desagrada a todos? Será apenas sua postura profissional?
Sempre deve ter havido e existem jornalistas ou membros da imprensa esportiva que gostam de provocar as torcidas, os jogadores e os cartolas. Vira estilo. Em Pernambuco, Aderval Barros ("o implacável") é o maior exemplo. Mas tenho notado que os programas esportivos vêm apostando mais nessa linha de atuação. O programa de Milton Neves da Record (que vive inventando estórias de seus convidados, dizendo que o convidado disse isso ou aquilo, arranjando namoros para suas sempre belas acompanhantes e muito mais) e o Lance Final da Globo (em que Léo Medrado parece ter gostado dessa postura e a implementou quando foi para a Rede Globo, sempre tentando encurralar os convidados, mais das vezes craques na bola e péssimos no raciocínio fora dos gramados) são exemplos.
O recurso do humor também vem crescendo na área esportiva e vários programas contam com humoristas e imitadores em seus quadros (tanto sucesso esse segmento fez que Tom Cavalcanti está com um programa pós-jogos na Rede Record; a Bandeirantes e Rede TV! tem os seus também).
Será, então, que Rembrandt Júnior adotou essa postura nas transmissões (não de humor, mas de posicionamento polêmico)? Falar mal de todos para fazer estilo? Dizer a "verdade" doa a quem doer? Falar de forma incisiva apenas para se firmar?
Tem também a possibilidade de ele expressar opiniões apenas para provar que é profissional, como, exemplicando-se, ele posicionar-se contra o time de Pernambuco em favor do time visitante em jogada de difícil análise, o que, logicamente, irrita muito os torcedores do time "prejudicado" (que nem sempre tem razão, saliente-se).
A terceira possibilidade - a mais lamentável - é que o narrador e jornalista exprima suas opiniões apenas para não desagradar alguns, fazendo com que o lado "prejudicado" veja a parcialidade com total rejeição e o lado "beneficiado" ria-se de tamanha pequenez.
E, por fim, a última possibilidade, seria o narrador tentar não desagradar qualquer lado, fazendo com que consiga exatamente o contrário. O ex-jogador Zé do Carmo, companheiro de Rembrandt Jr nas transmissões, tem essa fama.
Então, é estilo ou falta de ética? O Metiopé prefere ouvir as opiniões dos torcedores e a do próprio interessado.
Coronel Peconha
p.s.:
1- O quadro acima é um auto-retrato de Rembrandt, o famoso mestre da pintura do século XVII, que, até onde se sabe, não é o pai de Rembrandt Júnior.
2- O "mistério" de Luciano do Valle não ter espaço em Pernambuco na área esportiva sempre intriga: falta de interesse, cartel, pouco dinheiro? Aguardamos informações de quem possa fornecê-las.

Domingo, Abril 16, 2006

Como queimar um treinador

Ainda me lembro do Santa Cruz dirigido por Heron Ferreira em 2002. Perdeu o estadual após um 3x0 inexplicável para o time do Náutico no jogo de ida da final, não conseguindo reverter a vantagem alvirrubra no jogo da volta. Ganhou mais fora de casa do que o Santa Cruz tinha ganho nos últimos dez anos. Perdeu a classificação para a Primeira Divisão frente ao então inabalável Criciúma, que sagrou-se campeão naquele ano da Série B. Para a imprensa, no entanto, o mais patético dos técnicos que passou pelo Arruda nos últimos anos - em que pese os números dizerem exatamente o contrário.

Cansei de ouvir inúmeros elogios para os nossos treinadores em 2001: Ferdinando Teixeira e Muricy Ramalho. O primeiro, megalomaníaco, só tinha oposição de Aderval Barros, que o classificava de "Sociólogo"; para o resto, era um cara bastante educado. Muricy Ramalho, por outro lado, em 13 jogos à frente do Santa Cruz foi o capitão da bancarrota, mas a culpa era só do elenco (que realmente era formado em sua maioria por gente de pouco caráter). Só não se explica o porquê de Muricy, contrariando o que fez em todos os clubes em que foi técnico, permanecer como uma múmia à beira do campo. A imprensa nunca nem despertou para isso.

Em 2005, Givanildo Oliveira foi ovacionado pela torcida, pelo time e pela imprensa, e realmente fez por onde merecer tamanha honrarias. Só que foi o próprio Givanildo quem montou o atual elenco do Santa Cruz, foi Givanildo que liderou o time durante quase todo o Estadual de 2006 e o Tricolor não mostrou bom futebol em uma só partida.
Em 2006, assume Giba menos de uma semana antes do clássico contra o Sport, faltando três rodadas para o fim do Segundo Turno. Então, matematicamente, podemos garantir que o técnico Giba dirigiu o time em 3 partidas do Estadual (sendo dois clássicos) + 2 partidas nas finais do Estadual (dois clássicos) + 1 partida da Primeira Divisão. Tudo isso desde 19 de março até hoje.
Vamos repetir: o técnico Giba foi contratado há menos de um mês, não trouxe um só jogador indicado por ele e das 6 partidas que dirigiu o Santa Cruz, quatro foram clássicos e uma estréia na elite do futebol brasileiro.
Dá para culpar o treinador pela derrota do Estadual? Giba é responsável pelo péssimo futebol mostrado por alguns jogadores do Santa Cruz? Parece medianamente razoável esperar um pouco mais para que se verifique se Giba tem ou não qualidade para continuar como técnico.
Mas como tem agido a imprensa esportiva de Pernambuco? Primeiro, se for por retaliação por algumas declarações de Giba ou pela lei do silêncio que andou valendo no Arruda durante as finais do Estadual, está explicado. Hoje, as transmissões de rádio foram unânimes em falar mal de Giba, entrevistar jogadores perguntando se estavam satisfeitos com as designações do treinador, a demora de Giba de vir para a sala de imprensa foi considerada um "estrelismo", enfim, o que Giba fizer ou deixar já é culpado.
Para que não pareça "teoria de conspiração", sempre tão afeta a torcedores, pergunta-se: por que o JC On Line permanece (ou permaneceu até esta semana) com a enquete de quem seria o técnico do Santa Cruz? Ato falho ou maldade?
A Diretoria Tricolor pode dar um choque, trocar todo o plantel (não foi divulgada uma lista de dispensa pela imprensa???) e até o treinador. Só não queiram botar a culpa exclusivamente em Giba. É falta de ética.
Coronel Peçonha.

Quarta-feira, Abril 12, 2006

A "cobertura" da final do Pernambucano 2006


Que a imprensa tem todo o direito de criar esquentar o clima antes de qualquer decisão isso é indiscutível, bom para ela e mesmo interessante para os clubes: torcedores mais ansiosos e interessados vão aos estádios, consomem mais, ouvem mais rádios, lêem mais jornais, não perdem os programas esportivos das televisões.

Daí que a mínima cara feia feita por um jogador em algum recreativo ou treinamento antes da partida vira logo um problema médico de solução improvável, ouve-se o jogador prometer que vai jogar na raça e por aí vai. Quem não gosta desse clima? A cidade fica em polvorosa, até quem nem presta muito atenção a futebol já escolhe um time, decisão é decisão. Treinador esconde escalação, proíbe a torcida de ver o treino final (este ano o Santa Cruz até deixou o Arruda!) e tudo mais que coopera para que a decisão seja verdadeiramente decisiva, como se a história dos clubes envolvidos dependesse daquele(s) jogo(s) para continuar.

Não foi diferente este ano em relação às duas partidas finais do Pernambucano 2006, no entanto, o que chamou a atenção do METIOPÉ - e alguns dos que acessaram o blog fizeram menção ao fato - foi uma nota publicada no Jornal do Commercio (e JC On Line) no dia 08 de abril, um sábado, dia antes da segunda, última e decisiva partida entre o Sport e o Santa Cruz.

Analisemos o teor da nota (sem destaques no original)

Tricolor faz mistério para ser bicampeão

O técnico Giba achou melhor isolar o elenco do burburinho que ecoa pela cidade, pegando de surpresa os setoristas da imprensa que cobrem o clubeNão vai ser por falta de mistério que o Santa Cruz deixará de levantar o bicampeonato estadual, amanhã, na Ilha do Retiro. Ao chegar no Arruda, ontem, a imprensa foi informada que os relacionados para o embate decisivo não treinariam no estádio coral. Por volta das 16h30, descobriu-se que o atletas estavam no Estádio Gileno de Carli, no Cabo. Segundo informações de bastidores, os tricolores estão hospedados num hotel do município, situado na orla. Toda a manobra para despistar os meios de comunicação gerou uma pergunta simples: até que ponto o mistério pode ser vantajoso num jogo final?
Ao ser indagado, o assistente-técnico Ramon Ramos se negou a qualquer tipo de comentário. Os que sobraram da lista de jogadores que vai atuar no encontro, no entanto, não se furtaram ao “interrogatório” dos repórteres. Apesar de surpreso, Zada concordou com a decisão de colocar o grupo num lugar tranqüilo, longe do burburinho da cidade, que respira a final.
“Existe muito oba oba em cima do jogo. O importante agora é o time ter tranqüilidade e ficar concentrado ao máximo. Isso é importante”, afirmou o meia, que não pôde ser inscrito a tempo para o Estadual. “Agora, toda ação leva a uma reação. Se o time perder, o que acho que não vai ocorrer, Giba vai ter de responder por tudo isso que foi feito”, complementou o atleta.
Em 2002, o técnico Péricles Chamusca tomou uma atitude semelhante. Tinha vencido o primeiro jogo da final contra o Náutico (1x0), e resolveu se esconder do “mundo”, a fim de traçar uma tática misteriosa para vencer o Timbu. O mistério foi dissipado no início do encontro. O treinador coral colocou três zagueiros e escalou o volante Faeco, que havia jogado poucas vezes no estadual daquele ano. Resultado: o alvirrubro venceu o jogo por 3x0, no Arruda, e tornou-se bicampeão.
DISPENSAS – Enquanto os atletas treinavam num canto “desconhecido”, os corredores do clube ferviam. De acordo com informações de bastidores, depois do jogo final, mais precisamente na segunda-feira, seis atletas receberão o bilhete azul da direção: os mais cotados são o zagueiro Roberto, os laterais Édson Mendes e Peris, o volante Fernando Miguel, o meia Alex Oliveira e o atacante Marco Brito.
As dispensas abrem possibilidade de contratação. Sete nomes já estão na lista de aquisições, que viriam para ser titulares. O nome dos atletas foram repassados pelo técnico Giba, que visa mudar alguns setores do time titular, que não estariam a seu gosto. As informações não foram confirmadas pela direção.

Que o plantel do Santa Cruz vai ser reformulado, nem o mais apaixonado dos tricolores tem dúvidas (ou falta de esperança que isso ocorra e rapidamente). O que foi uma atitude totalmente reprovável foi o jornal publicar a "perua" de que já estava pronta uma lista de dispensa UM DIA ANTES DA PARTIDA FINAL, inclusive citando nomes de seis atletas.

O que viriam a ser "informações de bastidores"? Fofocas? Conversas de diretores ou discussões de torcedores? É ético publicar uma notícia de tamanho impacto dentro do elenco justamente antes da última partida do campeonato? Contrariando uma quase norma dentro das notícias esportivas, a notícia ainda se deu o trabalho de relembrar que Chamusca tinha feito isso em "2002" (2002, o técnico era Heron Ferreira; Chamusca dirigia o Santa Cruz na final de 2004) e que o Santa Cruz tinha perdido de forma espantosa o título dentro de casa, uma ilação grosseira para mostrar que o time do segredo perderia (que perdeu nos penalties e não quando escondeu o jogo, pois o gol da vitória no segundo jogo foi decorrente de uma jogada ensaiada e não conhecida do time adversário - o que não quer dizer que fazer segredo garante vitórias).

Quando na última partida do Segundo Turno do Pernambucano 2006, o Santa Cruz prometeu mala preta e cedeu o Arruda para o Vitória treinar, na esperança do milagre de ver o último colocado e já rebaixado time interiorano vencer, na casa do adversário, um time que precisava da vitória para disputar as finais, foi divulgado - atendendo apenas à versão do dirigente e torcedor (daí não se esperar que diga a verdade senão sob seu ponto de vista) Homero Lacerda - que jamais tal fato ocorrera no futebol. Uma lástima que a recuperação histórica da verdade, então, tenha sido desprezada, pois, sem muito esforço, lembramos de outro Vitória, o baiano, que, ofereceu o estário, o alojamento e ainda prometeu prêmio em dinheiro para que um time visitante vencesse o time do Bahia, condição necessária para que o tricolor baiano caísse para a Segunda Divisão. Não foi daquela vez que o Bahia caiu, pois venceu o bem recepcionado visitante e escapou do rebaixamento. E olhe que a "briga" dos baianos sequer beneficiava o time do Vitória: foi apenas para conturbar o adversário.

Pois é, lembrando passado e divulgando verdadeira "bomba" (a notícia foi divulgada à exaustão pelas rádios no dia do jogo, o domingo), será que o Jornal do Commercio agiu com ética? Clubismo? Corrupção? Ignorância? Fofoca? Profissionalismo inexistente? Com a palavra, o Jornal do Commercio (enviaremos esta mensagem por email).

Coronel Peçonha.

p.s.: Transcrevamos uma das notícias publicadas no mesmo dia, no mesmo jornal, abaixo. Uma falava sobre a existência de um espião do Santa Cruz filmando o treino do Sport. A outra, sobre o "clima" no plantel rubro-negro. O "mesmo" tratamento:

Vitórias no Sertão foram fundamentais

O Sport chega à decisão de amanhã, na Ilha do Retiro, contra o Santa Cruz, numa fase de crescimento. O time teve momentos de fraqueza no primeiro turno, mas o rendimento melhorou. A prova é que está há 11 jogos invictos. Todos concordam que os jogos fundamentais que alavancaram a chegada à decisão foram as duas vitórias no Sertão diante do Serrano, dia 19 de fevereiro, quando os rubro-negros venceram por 3x1, em Serra Talhada, e dia 1º de março ao aplicarem 1x0 em cima do Salgueiro.
O início do segundo turno, no entanto, o time foi tropeçando, na Ilha, no empate por 2x2 diante do Estudantes. “Foi um começo ruim. Mas sabíamos que o grupo poderia reagir. As duas vitórias no Sertão nos deram essa confiança. O Sport chegou à final por merecimento”, ressaltou o lateral Marcos Tamandaré.
O meia Geraldo ainda destacou: “Os seis pontos no Sertão nos deixaram certos de que a reação havia começado. Afinal, o Sport foi o único grande que venceu lá”.
Outro motivo para a reação foi a unidade do grupo e comando do técnico Dorival Júnior. “O elenco respondeu de forma positiva todo o nosso planejamento. O Sport é um time solidário, unido e determinado. Por isso, chegamos nas finais e os jogadores fizeram o máximo.”
Todos, no entanto, sabem que o jogo de amanhã é o mais importante, como bem lembrou o meia Welington. “Será todo um trabalho colocado em campo. Não podemos errar. O Santa Cruz tem um time muito forte, bem treinado e rápido. Será uma decisão bastante equilibrada.”